F.A.Q
Técnico

Proteção e Excitação de Unidades Geradoras (UG)

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Pergunta Otimizada: Por que a Proteção 51 (Sobrecorrente Temporizada) dispara a Unidade Geradora (UG) ou o Transformador repetidamente (TRIPA) durante a partida ou operação normal?

Causa Provável:

  • Elevada Corrente de Inrush: Durante a energização do transformador ou partida de grandes motores, a corrente de inrush pode exceder temporariamente o setpoint de corrente da função 51.
  • Ajuste Inadequado: A curva de tempo-corrente (TCC) da proteção 51 está mal ajustada, resultando em um tempo de retardo insuficiente para “passar” o inrush ou tolerar picos de carga momentâneos.

Sobrecarga Contínua: A UG ou o transformador está operando consistentemente próximo ou acima de sua capacidade nominal.

Solução Detalhada:

  1. Revisão da Curva TCC: Ajustar o retardo de tempo da proteção 51 para que seja maior do que a duração da corrente de inrush (geralmente de 0,1s a 0,5s, dependendo do transformador/motor) e coordenado com as proteções de jusante (downstream).
  2. Análise de Demanda: Verificar a demanda de potência real e redimensionar equipamentos ou implementar um sistema de gerenciamento de carga, se a sobrecarga for contínua.

Inspeção de Isolamento: Realizar testes de isolamento no gerador/transformador (ex: megôhmetro, PI/DAR) para descartar falhas incipientes.

Pergunta Otimizada: O que causa o disparo ou bloqueio da Proteção 27 (Subtensão), impedindo a energização ou o fechamento do disjuntor da Unidade Geradora (UG)?

Causa Provável:

  • Tensão Baixa na Barra: A tensão na barra de sincronismo da subestação está abaixo do setpoint de segurança (ex: 90% da V nominal) antes da UG ser conectada, geralmente devido a problemas externos de regulagem ou excesso de carga do sistema.
  • Instabilidade no AVR (Regulador Automático de Tensão): O AVR do gerador, ao tentar elevar a tensão para o sincronismo, pode apresentar ajustes de ganho/estabilidade (PID) inadequados, causando oscilações que levam a uma leitura de subtensão no relé.

Solução Detalhada:

  1. Monitoramento da Barra: Monitorar a tensão do sistema na barra antes do sincronismo. Se a tensão estiver baixa, a correção deve ser feita na rede externa (ex: ajuste de taps de transformadores da subestação).
  2. Ajuste Fino do AVR: Ajustar os parâmetros de Ganho e Estabilidade (PID) do AVR. Valores muito altos podem tornar o controle instável, enquanto valores baixos podem tornar a resposta muito lenta.

Pergunta Otimizada: Por que a Proteção 32R (Potência Reversa ou Anti-motorização) desarma o gerador após ele estar sincronizado e operando?

Causa Provável:

  • Potência Mecânica Insuficiente: A entrada de água (em hidrelétricas) ou vapor/gás (em térmicas) é insuficiente para cobrir as perdas mecânicas e elétricas do gerador.
  • Comportamento de Motor: O gerador começa a consumir energia ativa da rede (atuando como um motor) para girar o eixo. Em turbinas hidráulicas, isso é particularmente perigoso e pode causar cavitação ou superaquecimento do rotor.

Solução Detalhada:

  1. Ajuste de Carga Mínima: Revisar e ajustar o regulador de velocidade (governador) para garantir uma carga mínima de segurança na turbina. Essa potência mínima deve ser suficiente para cobrir as perdas e evitar a absorção de energia da rede.
  2. Revisão do Setpoint: Verificar se o setpoint de atuação da 32R (geralmente um valor pequeno de potência reversa, ex: 0,5% a 2% da P nominal) está adequado e não muito sensível.

Pergunta Otimizada: Qual é a causa do disparo da Proteção 59 (Sobretensão) no momento exato do sincronismo (fechamento do disjuntor na barra)?

Causa Provável:

  • Descompasso de Tensão (ΔV) Excessivo: A tensão do gerador no momento do fechamento do disjuntor está significativamente mais alta do que a tensão da barra do sistema. Ao se unirem, a tensão combinada ultrapassa o limite da 59.
  • AVR com Referência Alta: O AVR (Regulador Automático de Tensão) está operando com um valor de referência muito elevado, ou está no Modo Manual com uma excitação excessiva.

Solução Detalhada:

  1. Otimização do Sincronismo: Garantir que o sincronizador automático ou o operador ajuste o gerador para que a diferença de tensão (ΔV), frequência (Δf) e ângulo de fase (Δφ) esteja dentro das tolerâncias mínimas no momento do fechamento.
  2. Operação do AVR: Assegurar que o AVR esteja no Modo Automático com um setpoint de tensão correto, ou que a referência manual seja precisamente ajustada para a tensão da barra.

Pergunta Otimizada: O que indica o alarme de “Perda de Campo” e por que ele surge durante o início do processo de excitação?

Causa Provável:

  • Falha no Contator de Campo: O componente que conecta a saída de potência do AVR ao rotor (contator ou disjuntor de campo) não fechou ou abriu acidentalmente.
  • Ausência de Comando: Falha na lógica ou no circuito auxiliar que envia o comando de fechamento para a bobina do contator.
  • Problema Mecânico: Desgaste, sujeira ou problema mecânico no contator, impedindo seu fechamento físico.

Solução Detalhada:

  1. Inspeção do Contator: Realizar a inspeção física e elétrica do contator de campo. Verificar carbonização, desgaste e medir a resistência da bobina de comando.
  2. Rastreamento do Comando: Rastrear a lógica de controle (CLP/SDCD) e medir a tensão de alimentação na bobina de acionamento do contator para garantir que o comando esteja chegando corretamente.

Pergunta Otimizada: Por que a Unidade Geradora entra em TRIP (desligamento de emergência) por “Condições Hídricas” (nível/vazão), mesmo sem problemas visíveis no canal de água?

Causa Provável:

  • Erro de Calibração/Medição: Os sensores de nível (pressão, ultrassom) ou vazão estão descalibrados, sujos ou danificados, enviando sinais incorretos para o sistema de proteção e indicando um nível perigoso que não corresponde à realidade.
  • Obstrução Localizada: Obstruções parciais nas grades de tomada d’água (crivos) ou no conduto forçado causam uma queda de pressão ou nível local, que é captada pelo sensor, mas não é visível no canal principal.

Solução Detalhada:

  1. Recalibração de Sensores: Realizar a recalibração ou substituição dos sensores afetados, garantindo que a curva de conversão de sinal (analógico para unidade de engenharia) no CLP/Sistema de Supervisão esteja correta.
  2. Inspeção Física: Programar uma inspeção subaquática ou de dutos para remoção de detritos e confirmação da livre passagem do fluxo hídrico.

Pergunta Otimizada: Por que o Sistema de Excitação (AVR) da UG apresenta uma resposta lenta ao comando de aumentar a tensão (referência)?

 Causa Provável:

  • Limitação de Software (Ramp Rate): O parâmetro de Taxa de Rampa (Ramp Rate) no software do AVR está configurado com um limite muito conservador, intencionalmente restringindo a velocidade de aumento da tensão.
  • Degradação em Sistemas com Excitatriz: Em geradores com escovas e anéis coletores, o desgaste, sujeira ou a pressão insuficiente das escovas aumenta a resistência, limitando a corrente de campo e, consequentemente, a resposta da tensão.

 Solução Detalhada:

  1. Ajuste do Ramp Rate: Revisar e otimizar o parâmetro Ramp Rate no software do AVR, buscando um valor mais rápido, mas que mantenha a estabilidade do sistema.
  2. Manutenção do Coletor: Realizar manutenção preventiva (limpeza, lixamento dos anéis coletores e troca de escovas) em sistemas de excitação com escovas.

Pergunta Otimizada: Por que a Excitação da UG atinge o limite máximo de corrente de campo (Ifmax) e dispara um alarme, mesmo em operação normal?

Causa Provável:

  • Curto Parcial no Rotor: O problema mais grave. Um curto-circuito parcial nas espiras do rotor diminui a impedância e força o AVR a injetar uma corrente de campo muito maior (If) para manter a tensão nominal.
  • Tensão da Barra Baixa: Se a tensão do sistema estiver baixa, o gerador tenta compensar fornecendo mais potência reativa para “puxar” a tensão, o que exige um aumento na excitação (If), podendo atingir o limite.
  • Limitação do AVR Mal Configurada: O limite máximo de corrente de campo (Ifmax) configurado no software do AVR está abaixo da capacidade real da máquina.

Solução Detalhada:

  1. Diagnóstico do Rotor: Realizar testes de isolamento do rotor (Resistência e/ou Polarização). Se o curto for confirmado, o rotor deve ser reparado ou substituído.
  2. Reconfiguração de Limites: Se a máquina estiver saudável, revisar e aumentar o limite de corrente de campo (Ifmax) no software do AVR, respeitando o limite físico do equipamento.

Pergunta Otimizada: Por que a tensão do gerador excede o valor nominal durante a energização e antes do sincronismo (fechamento do disjuntor)?

Causa Provável:

  • AVR em Modo Manual com Referência Elevada: O sistema de controle ou o operador deixou o AVR em Modo Manual com uma referência de tensão alta, ou o setpoint automático está muito acima do valor da barra.
  • Falha no Sensor de Tensão (TP): O Transformador de Potencial (TP) que mede a tensão da máquina e a envia para o AVR pode estar com defeito. O AVR lê uma tensão mais baixa do que a real e tenta compensar, injetando excitação excessiva.

Solução Detalhada:

  1. Verificação do Setpoint: Garantir que o AVR esteja no Modo Automático e que o setpoint de tensão esteja precisamente ajustado para a tensão nominal da barra de sincronismo.
  2. Teste do Sensor de Tensão (TP): Medir a tensão no TP com um instrumento de referência. Se houver discrepância, o TP ou o transdutor de tensão associado deve ser substituído.

Pergunta Otimizada: Qual é a causa de uma queda abrupta de Excitação na UG, levando à perda de sincronismo (desarme das proteções 40 ou 32)?

Causa Provável:

  • Falha de Módulo de Potência do AVR: Falha catastrófica no módulo de potência (tiristores/IGBTs) do AVR, interrompendo subitamente o fornecimento de corrente para o campo magnético.
  • Perda de Alimentação Auxiliar: Falha na fonte de alimentação AC ou DC que energiza o próprio AVR ou seu sistema de refrigeração.
  • Perda de Campo (Proteção 40): O gerador perdeu a capacidade de fornecer potência reativa e o relé 40 (Perda de Excitação) atuou por subexcitação extrema.

Solução Detalhada:

  1. Inspeção da Fonte Auxiliar: Inspecionar e testar fusíveis, disjuntores e cabos das fontes de alimentação auxiliares (AC e DC) do sistema de excitação.
  2. Teste de Módulos: Realizar o teste e substituição do módulo de potência do regulador de campo, se danificado.
  3. Análise da Rede: Analisar os registros de oscilações de potência da rede no momento do evento, pois uma instabilidade externa pode levar à desestabilização do campo.